O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

CAPÍTULO V

BEM-AVENTURADOS OS AFLITOS

Instruções dos Espíritos – A melancolia

25. Sabeis por que, às vezes, uma vaga tristeza se apodera dos vossos corações e vos leva a considerar amarga a vida? É que vosso Espírito, aspirando à felicidade e à liberdade, se esgota, jungido ao corpo que lhe serve de prisão, em vãos esforços para sair dele. Reconhecendo inúteis esses esforços, cai no desânimo e, como o corpo lhe sofre a influência, toma-vos a lassidão, o abatimento, uma espécie de apatia, e vos julgais infelizes.

Crede-me, resisti com energia a essas impressões que vos enfraquecem a vontade. São inatas no espírito de todos os homens as aspirações por uma vida melhor; mas não as busqueis neste mundo e, agora, quando Deus vos envia os Espíritos que lhe pertencem, para vos instruírem acerca da felicidade que Ele vos reserva, aguardai pacientemente o anjo da libertação, para vos ajudar a romper os liames que vos mantêm cativo o Espírito. Lembrai-vos de que, durante o vosso degredo na Terra, tendes de desempenhar uma missão de que não suspeitais, quer dedicando-vos à vossa família, quer cumprindo as diversas obrigações que Deus vos confiou. Se, no curso desse degredo–provação, exonerando-vos dos vossos encargos, sobre vós desabarem os cuidados, as inquietações e tribulações, sede fortes e corajosos para os suportar. Afrontai-os resolutos. Duram pouco e vos conduzirão à companhia dos amigos por quem chorais e que, jubilosos por ver-vos de novo entre eles, vos estenderão os braços, a fim de guiar-vos a uma região inacessível às aflições da Terra. (François de Genève. Bordeaux).

Comentário:

Meus irmãos, o texto de hoje fala de uma experiência que todos nós já vivemos: aquela tristeza sem motivo, aquela angústia suave, aquela sensação de vazio que aparece de repente e que nos faz achar que a vida está amarga.

O Espírito François de Genève nos explica que esse sentimento não nasce do corpo, mas sim do espírito que habita em nós. Somos seres criados para a felicidade e para a liberdade espiritual. Mas, enquanto reencarnados, estamos ligados a um corpo que limita nossas percepções, que restringe nossa visão e que, muitas vezes, faz com que o Espírito se sinta aprisionado.

Quando nossa alma aspira a algo mais elevado, mas percebe que, por enquanto, não pode romper esses laços da matéria, ela experimenta um cansaço íntimo. E esse abatimento espiritual se reflete no corpo:

— sentimos desânimo,

— apatia,

— e acreditamos estar infelizes.

Mas a orientação é clara: não devemos ceder a esse estado. É preciso resistir a essas impressões que enfraquecem a vontade. Essa saudade do mundo espiritual é natural, mas não deve nos afastar das tarefas que Deus nos confiou na Terra.

Somos lembrados de que todos nós estamos aqui em missão — mesmo quando não sabemos qual é. Às vezes essa missão está dentro da própria família. Às vezes nos espera no trabalho, na renúncia, na paciência, na caridade silenciosa. Cada um carrega compromissos escolhidos antes de reencarnar, compromissos que nos ajudam a evoluir.

E quando as dificuldades aparecerem — como aparecem para todos — devemos enfrentá-las com coragem. As tribulações são temporárias, fazem parte da prova, mas nos conduzem à libertação.

Ao final dessa jornada, diz o Espírito, seremos recebidos pelos amigos queridos que partiram antes de nós, aqueles por quem choramos e sentimos saudades. Eles nos estenderão os braços, felizes por reencontrar-nos, e nos conduzirão a regiões onde as aflições da Terra não podem mais nos alcançar.

Meus irmãos, essa mensagem é um convite ao consolo e à perseverança. Quando aquela tristeza inexplicável chegar, lembremos: não é fraqueza, não é derrota. É apenas o espírito recordando sua verdadeira pátria.

Que possamos, então, seguir firmes, confiantes e serenos, cumprindo nossas tarefas com fé, até que chegue, no tempo certo, o anjo da libertação.

Muita paz!