O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO
CAPÍTULO XI
AMAR O PRÓXIMO COMO A SI MESMO
Instruções dos Espíritos
O EGOÍSMO
Emmanuel, Paris, 1861
11. O egoísmo, chaga da Humanidade, tem que desaparecer da Terra, a cujo progresso moral obsta. Ao Espiritismo está reservada a tarefa de fazê-la ascender na hierarquia dos mundos. O egoísmo é, pois, o alvo para o qual todos os verdadeiros crentes devem apontar suas armas, dirigir suas forças, sua coragem. Digo: coragem, porque dela muito mais necessita cada um para vencer-se a si mesmo, do que para vencer os outros. Que cada um, portanto, empregue todos os esforços a combatê-lo em si, certo de que esse monstro devorador de todas as inteligências, esse filho do orgulho é o causador de todas as misérias do mundo terreno. É a negação da caridade e, por conseguinte, o maior obstáculo à felicidade dos homens. Jesus vos deu o exemplo da caridade e Pôncio Pilatos o do egoísmo, pois, quando o primeiro, o Justo, vai percorrer as santas estações do seu martírio, o outro lava as mãos, dizendo: “Que me importa!” Animou-se a dizer aos judeus: “Este homem é justo, por que o quereis crucificar?” Entretanto, deixa que o conduzam ao suplício. É a esse antagonismo entre a caridade e o egoísmo, à invasão do coração humano por essa chaga moral que se deve atribuir o fato de não haver ainda o Cristianismo desempenhado por completo a sua missão. Cabem a vós, novos apóstolos da fé, que os Espíritos superiores esclarecem, o encargo e o dever de extirpar esse mal, a fim de dar ao Cristianismo toda a sua força e desobstruir o caminho dos pedrouços que lhe embaraçam a marcha. Expulsai da Terra o egoísmo para que ela possa subir na escala dos mundos, porquanto já é tempo de a Humanidade envergar sua veste viril, para o que cumpre que primeiramente o expilais dos vossos corações.
Pascal, Sens, 1862
12. Se os homens se amassem com mútuo amor, mais bem praticada seria a caridade; mas, para isso, mister fora vos esforçásseis por largar essa couraça que vos cobre os corações, a fim de se tornarem eles mais sensíveis aos sofrimentos alheios. A rigidez mata os bons sentimentos; o Cristo jamais se escusava; não repelia aquele que o buscava, fosse quem fosse: socorria a mulher adúltera, como o criminoso; nunca temeu que a sua reputação sofresse por isso. Quando o tomareis por modelo de todas as vossas ações? Se na Terra a caridade reinasse, o mau não imperaria nela; fugiria envergonhado; ocultar-se-ia, visto que em toda parte se acharia deslocado. O mal então desapareceria, ficai bem certos. Começai vós por dar o exemplo; sede caridosos para com todos indistintamente; esforçai-vos por não atentar nos que vos olham com desdém e deixai a Deus o encargo de fazer toda a justiça, a Deus que todos os dias separa, no seu Reino, o joio do trigo. O egoísmo é a negação da caridade. Ora, sem a caridade não haverá descanso para a sociedade humana. Digo mais: não haverá segurança. Com o egoísmo e o orgulho, que andam de mãos dadas, a vida será sempre uma carreira em que vencerá o mais esperto, uma luta de interesses, em que se calcarão aos pés as mais santas afeições, em que nem sequer os sagrados laços da família merecerão respeito.
Comentário:
Meus irmãos e minhas irmãs,
No Capítulo XI de O Evangelho Segundo o Espiritismo, ao tratar do mandamento maior — amar o próximo como a si mesmo — os Espíritos nos conduzem a uma reflexão profunda sobre o maior obstáculo à vivência desse amor: o egoísmo.
O Espírito Emmanuel define o egoísmo como a chaga da Humanidade, afirmando que ele precisa desaparecer da Terra para que o progresso moral se realize plenamente. O egoísmo não é apenas um defeito individual; ele é a raiz de quase todas as misérias humanas, das injustiças sociais, das guerras, da indiferença diante do sofrimento alheio. Onde há egoísmo, não há caridade verdadeira.
O Espiritismo surge, então, como instrumento divino destinado a auxiliar a Humanidade nessa grande transformação moral. Emmanuel nos alerta que combater o egoísmo exige coragem, e talvez a maior de todas: a coragem de vencer a si mesmo. É muito mais fácil apontar os erros dos outros do que reconhecer e enfrentar o egoísmo que habita nosso próprio coração.
Esse “monstro devorador”, como o Espírito o chama, nasce do orgulho e se manifesta de muitas formas: na indiferença, no desejo de vantagem pessoal, na falta de empatia, na recusa em compreender o outro. Ele é a negação da caridade e, portanto, o maior inimigo da felicidade humana.
Emmanuel nos oferece um contraste marcante: Jesus e Pôncio Pilatos. Enquanto Jesus personifica a caridade suprema, o amor até o sacrifício, Pilatos simboliza o egoísmo que lava as mãos e diz: “Que me importa?”. Quantas vezes, ainda hoje, repetimos esse gesto em nossas atitudes, quando ignoramos o sofrimento alheio, quando nos omitimos diante do mal, quando escolhemos a comodidade em vez da compaixão?
É justamente esse antagonismo entre egoísmo e caridade que explica por que o Cristianismo ainda não realizou plenamente sua missão na Terra. Não porque os ensinamentos de Jesus sejam insuficientes, mas porque ainda resistimos a vivê-los em profundidade.
Por isso, Emmanuel chama os espíritas de novos apóstolos, convocando-os à responsabilidade moral de extirpar o egoísmo do próprio coração. Somente assim a Terra poderá subir na escala dos mundos, avançando rumo a condições mais felizes e mais justas.
O Espírito Pascal reforça esse ensinamento ao afirmar que, se os homens se amassem verdadeiramente, a caridade seria naturalmente praticada. Mas, para isso, é necessário remover a “couraça” que endurece os corações. A rigidez moral, a frieza emocional e a indiferença matam os bons sentimentos.
Jesus é apresentado como o modelo perfeito. Ele nunca recusou auxílio a ninguém, não temeu julgamentos, não se preocupou com reputação. Acolheu a mulher adúltera, o criminoso, o sofredor. O Cristo não perguntava quem merecia ajuda; simplesmente amava.
Pascal nos convida a seguir esse exemplo, lembrando que, se a caridade reinasse na Terra, o mal não encontraria espaço. Ele se ocultaria, envergonhado, pois a fraternidade o desarmaria. O egoísmo, ao contrário, sustenta uma sociedade baseada na competição, no orgulho e na exploração, onde vence o mais esperto e os laços mais sagrados — até mesmo os de família — são desrespeitados.
O egoísmo é incompatível com a verdadeira paz social. Sem caridade, não há segurança, não há confiança, não há descanso para a sociedade humana. A vida torna-se uma luta constante de interesses, onde poucos ganham à custa de muitos.
Por isso, a transformação começa em cada um de nós. Não se trata de grandes gestos heroicos, mas de pequenas atitudes diárias: compreender mais, julgar menos, ajudar sem esperar retorno, ser indulgente, exercitar a empatia. Amar o próximo como a si mesmo é reconhecer no outro um Espírito em aprendizado, tão necessitado de compreensão quanto nós.
Combater o egoísmo em nós mesmos é o primeiro passo para a regeneração do mundo. Quando cada coração se torna mais fraterno, a sociedade inteira se transforma. É assim que o Espiritismo contribui para o progresso da Humanidade: iluminando consciências e despertando o amor adormecido.
Que possamos, portanto, aceitar esse chamado com humildade e coragem, lembrando que amar o próximo como a si mesmo não é apenas um ideal elevado, mas uma necessidade urgente para a felicidade individual e coletiva.
Que Jesus nos inspire e nos fortaleça nessa jornada de renovação interior.
Que a paz do Cristo esteja conosco, hoje e sempre.
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