O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO
CAPÍTULO XI
AMAR O PRÓXIMO COMO A SI MESMO
DAI A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR
5. Os fariseus, tendo-se retirado, entenderam-se entre si para enredá-lo com as suas próprias palavras. Mandaram então seus discípulos, em companhia dos herodianos, dizer-lhe: “Mestre, sabemos que és veraz e que ensinas o caminho de Deus pela verdade, sem levares em conta a quem quer que seja, porque, nos homens, não consideras as pessoas.” — Dize-nos, pois, qual a tua opinião sobre isto: É-nos permitido pagar ou deixar de pagar a César o tributo? Jesus, porém, que lhes conhecia a malícia, respondeu: “Hipócritas, por que me tentais? Apresentai-me uma das moedas que se dão em pagamento do tributo.” — E, tendo-lhe eles apresentado um denário, perguntou Jesus: “De quem são esta imagem e esta inscrição?” “De César” — responderam eles. Então, observou-lhes Jesus: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.” Ouvindo-o falar dessa maneira, admiraram-se eles da sua resposta e, deixando-o, se retiraram.
(Mateus, 22:15 a 22; Marcos, 12:13 a 17.)
6. A questão proposta a Jesus era motivada pela circunstância de que os judeus, abominando o tributo que os romanos lhes impunham, haviam feito do pagamento desse tributo uma questão religiosa. Numeroso partido se fundara contra o imposto. O pagamento deste constituía, pois, entre eles, uma irritante questão de atualidade, sem o que nenhum senso teria a pergunta feita a Jesus: “É-nos lícito pagar ou deixar de pagar a César o tributo?” Havia nessa pergunta uma armadilha. Contavam os que a formularam poder, conforme a resposta, excitar contra Ele a autoridade romana, ou os judeus dissidentes; mas “Jesus, que lhes conhecia a malícia”, contornou a dificuldade, dando-lhes uma lição de justiça, com o dizer que a cada um seja dado o que lhe é devido.
7. Esta sentença: “Dai a César o que é de César”, não deve, entretanto, ser entendida de modo restritivo e absoluto. Como em todos os ensinos de Jesus, há nela um princípio geral, resumido sob forma prática e usual e deduzido de uma circunstância particular. Esse princípio é consequente daquele, segundo o qual devemos proceder para com os outros como queiramos que os outros procedam para conosco. Ele condena todo prejuízo material e moral que se possa causar a outrem, toda postergação de seus interesses. Prescreve o respeito aos direitos de cada um, como cada um deseja que se respeitem os seus. Estende-se mesmo aos deveres contraídos para com a família, a sociedade, a autoridade, tanto quanto para com os indivíduos em geral.
Comentário:
Meus irmãos e minhas irmãs,
No Capítulo XI de O Evangelho Segundo o Espiritismo, ao tratar do tema “Amar o próximo como a si mesmo”, encontramos um ensinamento de Jesus que, muitas vezes, é citado, mas nem sempre plenamente compreendido: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.”
O contexto desse ensinamento é importante. Os fariseus e herodianos, desejando comprometer Jesus, aproximam-se com palavras elogiosas, mas com intenções maliciosas. Perguntam se era lícito pagar tributo a César, o imperador romano. Qualquer resposta direta poderia colocá-lo em perigo: se dissesse que não, seria acusado de rebelião contra Roma; se dissesse que sim, perderia o apoio do povo judeu, que via o imposto como uma opressão injusta.
Jesus, conhecendo a intenção dos que o interrogavam, pede uma moeda e pergunta de quem era a imagem nela estampada. Diante da resposta — “de César” —, Ele conclui com sabedoria: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.” Com isso, Jesus não apenas se livra da armadilha, mas deixa uma lição profunda de justiça, responsabilidade e equilíbrio.
Allan Kardec e os Espíritos esclarecem que essa frase não deve ser entendida de maneira restrita ou limitada ao pagamento de impostos. Ela contém um princípio moral universal, que se harmoniza perfeitamente com o mandamento do amor ao próximo.
Dar a César o que é de César significa respeitar as leis humanas, as instituições sociais, os compromissos assumidos e os direitos alheios. Significa compreender que a vida em sociedade exige deveres tanto quanto direitos. Não é possível exigir justiça, ordem e proteção social sem colaborar com a manutenção desses mesmos sistemas.
Dar a Deus o que é de Deus, por sua vez, é reconhecer que nossa consciência, nossas ações morais e nossos valores espirituais pertencem à Lei Divina. É viver de acordo com os princípios do bem, da honestidade, da caridade e da fraternidade, independentemente das circunstâncias externas.
O Espiritismo nos ensina que não há conflito entre a lei humana justa e a lei divina. Quando as leis dos homens estão em consonância com o bem comum, cumpri-las é também um ato de amor ao próximo. Agir de forma correta, pagar o que é devido, respeitar contratos, cumprir deveres familiares e sociais são expressões práticas da caridade.
Jesus amplia esse ensinamento ao nos lembrar da regra de ouro: agir com os outros como gostaríamos que agissem conosco. Assim, a frase “Dai a César o que é de César” condena qualquer forma de prejuízo material ou moral causado ao semelhante, seja por desonestidade, negligência ou egoísmo.
Esse princípio se estende às nossas relações mais próximas: na família, quando cumprimos nossas responsabilidades; no trabalho, quando agimos com ética; na sociedade, quando respeitamos as leis; e na vida espiritual, quando buscamos nossa reforma íntima.
Amar o próximo como a si mesmo é compreender que não podemos separar nossa vida espiritual da nossa vida social. A verdadeira religiosidade não está em fugir das obrigações do mundo, mas em vivê-las com consciência, justiça e amor.
Portanto, dar a Deus o que é de Deus é cultivar valores elevados; dar a César o que é de César é agir com retidão no mundo. Quando equilibramos esses dois deveres, caminhamos de forma segura no processo de evolução espiritual.
Que possamos refletir sobre esse ensinamento de Jesus e aplicá-lo em nossa vida diária, lembrando que o verdadeiro cristão é reconhecido não apenas pelo que crê, mas principalmente pela forma como age.
Que a paz do Cristo permaneça conosco hoje e sempre.
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