O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO
CAPÍTULO XII
AMAI OS VOSSOS INIMIGOS
Instruções dos Espíritos
O ÓDIO
Fénelon, Bordeaux, 1861
10. Amai-vos uns aos outros e sereis felizes. Tomai sobretudo a peito amar os que vos inspiram indiferença, ódio ou desprezo. O Cristo, que deveis considerar modelo, deu-vos o exemplo desse devotamento. Missionário do amor, Ele amou até dar o sangue e a vida por amor. Penoso vos é o sacrifício de amardes os que vos ultrajam e perseguem; mas, precisamente, esse sacrifício é que vos torna superiores a eles. Se os odiásseis, como vos odeiam, não valeríeis mais do que eles. Amá-los é a hóstia imácula que ofereceis a Deus na ara dos vossos corações, hóstia de agradável aroma e cujo perfume lhe sobe até o seio. Se bem a lei de amor mande que cada um ame indistintamente a todos os seus irmãos, ela não couraça o coração contra os maus procederes; esta é, ao contrário, a prova mais angustiosa, e eu o sei bem, porquanto, durante a minha última existência terrena, experimentei essa tortura; mas Deus lá está e pune nesta vida e na outra os que violam a lei de amor. Não esqueçais, meus queridos filhos, que o amor aproxima de Deus a criatura e o ódio a distância dele.
Comentário:
Meus irmãos e minhas irmãs,
Fénelon inicia esta instrução com uma afirmação direta e consoladora: “Amai-vos uns aos outros e sereis felizes.” Nela está contida uma verdade profunda: a felicidade verdadeira nasce do amor vivido, não apenas compreendido. E ele vai além, convidando-nos a amar justamente aqueles que mais nos desafiam — os que nos inspiram indiferença, antipatia, desprezo ou até ódio.
Esse é o ponto central do ensinamento. Amar quem nos ama é fácil; amar quem nos fere é o grande exercício espiritual. O Cristo é apresentado como o modelo supremo desse devotamento. Missionário do amor, Jesus amou sem condições, chegando ao sacrifício máximo da própria vida. Ele não revidou a ofensa, não devolveu o ódio, não amaldiçoou os que o perseguiam.
Para nós, esse caminho é penoso. Amar quem nos ultraja exige renúncia, esforço íntimo e vigilância constante. Mas é justamente esse sacrifício que nos torna moralmente superiores. Quando odiamos aqueles que nos odeiam, nos igualamos a eles. Quando escolhemos amar, nos elevamos acima da ofensa.
Fénelon utiliza uma imagem profundamente simbólica: amar os inimigos é como oferecer a Deus uma hóstia pura no altar do coração. É um sacrifício silencioso, invisível aos olhos do mundo, mas de grande valor espiritual. Esse amor sincero sobe até Deus como perfume agradável, pois representa a vitória do Espírito sobre as paixões inferiores.
Entretanto, amar não significa ser conivente com o erro. A lei de amor não nos torna insensíveis às injustiças nem impede que reconheçamos os maus procederes. Pelo contrário, essa convivência difícil é uma das provas mais dolorosas da existência. O próprio Espírito comunicante reconhece ter vivido essa experiência em sua última encarnação.
Deus, porém, é justo. Nenhuma violação da lei de amor fica impune, seja nesta vida, seja na vida espiritual. Isso não nos autoriza a julgar ou punir, mas nos convida a confiar na Justiça Divina e a libertar o coração do ressentimento.
O ensinamento se encerra com uma advertência clara e amorosa: o amor aproxima o Espírito de Deus; o ódio o afasta. O ódio corrói, perturba, adoece a alma e nos prende às regiões inferiores da vida espiritual. O amor, mesmo quando difícil, ilumina, pacifica e nos conduz à verdadeira felicidade.
Que possamos, portanto, vigiar nossos sentimentos e escolher, sempre que possível, o caminho do amor. Não por obrigação, mas por compreensão. Amar é crescer; perdoar é libertar-se; e vencer o ódio dentro de nós é dar um passo decisivo rumo a Deus.
Muita paz a todos.
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