O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO
CAPÍTULO XIII
NÃO SAIBA A VOSSA MÃO ESQUERDA O QUE DÊ A VOSSA MÃO DIREITA
Instruções dos Espíritos
BENEFÍCIOS PAGOS COM A INGRATIDÃO
Guia Protetor, Sens, 1862
19. Que se deve pensar dos que, recebendo a ingratidão em paga de benefícios que fizeram, deixam de praticar o bem para não topar com os ingratos?
Nesses, há mais egoísmo do que caridade, visto que fazer o bem, apenas para receber demonstrações de reconhecimento, é não o fazer com desinteresse, e o bem, feito desinteressadamente, é o único agradável a Deus. Há também orgulho, porquanto os que assim procedem se comprazem na humildade com que o beneficiado lhes vem depor aos pés o testemunho do seu reconhecimento. Aquele que procura, na Terra, recompensa ao bem que pratica não a receberá no céu. Deus, entretanto, terá em apreço aquele que não a busca no mundo.
Deveis sempre ajudar os fracos, embora saibais de antemão que os a quem fizerdes o bem não vo-lo agradecerão. Ficai certos de que, se aquele a quem prestais um serviço o esquece, Deus o levará mais em conta do que se com a sua gratidão o beneficiado vo-lo houvesse pago. Se Deus permite por vezes sejais pagos com a ingratidão, é para experimentar a vossa perseverança em praticar o bem. E sabeis, porventura, se o benefício momentaneamente esquecido não produzirá mais tarde bons frutos? Tende a certeza de que, ao contrário, é uma semente que com o tempo germinará. Infelizmente, nunca vedes senão o presente; trabalhais para vós e não pelos outros. Os benefícios acabam por abrandar os mais empedernidos corações; podem ser olvidados neste mundo, mas, quando se desembaraçar do seu envoltório carnal, o Espírito que os recebeu se lembrará deles e essa lembrança será o seu castigo. Deplorará a sua ingratidão; desejará reparar a falta, pagar a dívida noutra existência, não raro buscando uma vida de dedicação ao seu benfeitor. Assim, sem o suspeitardes, tereis contribuído para o seu adiantamento moral e vireis a reconhecer a exatidão desta máxima: um benefício jamais se perde. Além disso, também por vós mesmos tereis trabalhado, porquanto granjeareis o mérito de haver feito o bem desinteressadamente e sem que as decepções vos desanimassem. Ah! meus amigos, se conhecêsseis todos os laços que prendem a vossa vida atual às vossas existências anteriores; se pudésseis apanhar num golpe de vista a imensidade das relações que ligam uns aos outros os seres, para o efeito de um progresso mútuo, admiraríeis muito mais a sabedoria e a bondade do Criador, que vos concede reviver para chegardes a Ele.
Comentário:
Meus irmãos e minhas irmãs, que a Paz de Jesus Cristo seja conosco,
No Capítulo XIII de O Evangelho Segundo o Espiritismo, Jesus nos ensina que a verdadeira caridade deve ser feita com discrição e pureza de intenção, conforme a orientação: “Não saiba a vossa mão esquerda o que dê a vossa mão direita.” Dentro desse contexto, a instrução intitulada “Benefícios pagos com a ingratidão” nos convida a refletir sobre uma das provas mais difíceis para quem deseja praticar o bem: a ausência de reconhecimento.
O Guia Protetor inicia com uma pergunta direta e profunda: o que pensar daqueles que, ao receberem ingratidão em troca do bem que fizeram, deixam de ajudar para não enfrentar novamente essa decepção? A resposta é clara e educativa: nesses corações ainda existe mais egoísmo do que caridade. Isso porque fazer o bem esperando gratidão não é fazer o bem por amor, mas por interesse.
A verdadeira caridade é desinteressada. Quando ajudamos alguém esperando aplauso, agradecimento ou reconhecimento, colocamos o nosso orgulho como motivação principal. O bem, nesses casos, perde sua elevação espiritual, pois passa a servir ao ego, e não ao próximo. O texto nos ensina que somente o bem feito sem esperar recompensa é agradável a Deus.
O Espírito também nos alerta para uma armadilha sutil: o prazer que alguns sentem ao ver o beneficiado demonstrar humildade excessiva, quase se colocando aos pés do benfeitor. Isso revela orgulho disfarçado de generosidade. Quem busca recompensa na Terra, diz o texto, não a receberá no Céu. A recompensa verdadeira está no plano espiritual, reservada àquele que ajuda sem alarde e sem exigências.
Somos, então, convidados a um exercício de maturidade espiritual: ajudar mesmo sabendo que não seremos agradecidos. Muitas vezes, aquele que recebe o benefício não tem condições morais ou emocionais de reconhecer o auxílio naquele momento. Pode estar endurecido pela dor, pelo orgulho ferido ou pela revolta contra a vida. Ainda assim, o bem deve ser feito.
O texto nos traz um grande consolo: se o beneficiado esquece, Deus não esquece. Cada gesto de amor é registrado nas leis divinas. A ingratidão que recebemos, quando aceita com paciência, torna-se prova de perseverança. Deus permite essas situações para testar a firmeza de nossas intenções e o grau de pureza da nossa caridade.
Além disso, o Espírito nos ensina que nenhum benefício se perde. Mesmo quando parece esquecido, ele é uma semente lançada no solo da alma. Pode demorar a germinar, mas produzirá frutos no tempo certo. O bem praticado hoje pode despertar a consciência do outro amanhã, nesta ou em outra existência.
A doutrina da reencarnação nos ajuda a compreender esse processo. O Espírito que hoje se mostra ingrato, ao libertar-se do corpo, lembrará do auxílio recebido e sentirá o peso moral da própria ingratidão. Esse remorso será estímulo para a reparação futura, muitas vezes levando-o a dedicar-se ao bem, inclusive em favor daquele que o ajudou.
Assim, sem perceber, aquele que fez o bem contribuiu para o adiantamento moral do outro, mesmo não tendo recebido gratidão. Ao mesmo tempo, trabalhou por si próprio, acumulando mérito espiritual por haver perseverado no bem sem se deixar desanimar pelas decepções.
O texto se encerra com uma reflexão profunda: nossas vidas estão ligadas por inúmeros laços invisíveis, construídos ao longo de várias existências. Somos instrumentos uns dos outros no processo de crescimento espiritual. Se pudéssemos enxergar essa rede de relações, compreenderíamos melhor a sabedoria e a bondade de Deus ao nos permitir reencarnar, oferecendo-nos novas oportunidades de amar, servir e aprender.
Que possamos, portanto, fazer o bem sem esperar retorno, ajudar sem exigir reconhecimento e amar sem condições. Assim, estaremos vivendo, de fato, o ensinamento do Cristo e a essência do Evangelho.
Que Jesus nos fortaleça na prática dessa caridade silenciosa, perseverante e verdadeiramente libertadora.
Que assim seja!
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