O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

CAPÍTULO XIII

NÃO SAIBA A VOSSA MÃO ESQUERDA O QUE DÊ A VOSSA MÃO DIREITA

Instruções dos Espíritos

BENEFICÊNCIA EXCLUSIVA

São Luís, Paris, 1860

20. É acertada a beneficência, quando praticada exclusivamente entre pessoas da mesma opinião, da mesma crença, ou do mesmo partido?

Não, porquanto precisamente o espírito de seita e de partido é que precisa ser abolido, visto que são irmãos todos os homens. O verdadeiro cristão vê somente irmãos em seus semelhantes e não procura saber, antes de socorrer o necessitado, qual a sua crença, ou a sua opinião, seja sobre o que for. Obedeceria o cristão, porventura, ao preceito de Jesus Cristo, segundo o qual devemos amar os nossos inimigos, se repelisse o desgraçado, por professar uma crença diferente da sua? Socorra-o, portanto, sem lhe pedir contas à consciência, pois, se for um inimigo da religião, esse será o meio de conseguir que ele a ame; repelindo-o, faria que a odiasse.

Comentário:

Meus irmãos e minhas irmãs, que a Paz de Jesus Cristo seja conosco,

no Capítulo XIII de O Evangelho Segundo o Espiritismo, Jesus nos ensina que a verdadeira caridade deve ser praticada com humildade e desinteresse, resumida na expressão: “Não saiba a vossa mão esquerda o que dê a vossa mão direita.” Dentro desse ensinamento, a instrução intitulada “Beneficência Exclusiva”, trazida por São Luís, nos convida a refletir sobre um ponto essencial: a quem devemos fazer o bem?

A pergunta apresentada é clara: é correta a beneficência quando praticada apenas entre pessoas da mesma opinião, da mesma crença ou do mesmo partido? A resposta do Espírito é direta e esclarecedora: não. Limitar a caridade a grupos específicos é alimentar o espírito de seita, de divisão e de exclusão — exatamente o oposto do que ensinou Jesus.

O Cristo não nos pediu que amássemos apenas aqueles que pensam como nós, mas que reconhecêssemos irmãos em todos os homens. A verdadeira caridade não investiga a religião, a ideologia ou a posição social de quem sofre. Ela vê apenas a necessidade e responde com amor.

São Luís nos lembra que o verdadeiro cristão não pergunta ao necessitado qual é sua crença antes de socorrê-lo. Se assim o fizesse, estaria contrariando o próprio Evangelho. Afinal, como obedecer ao mandamento de amar os inimigos se recusamos ajuda justamente àqueles que pensam diferente de nós?

A beneficência exclusiva cria barreiras onde deveria haver pontes. Ela transforma a caridade em privilégio e o auxílio em instrumento de separação. Jesus, ao contrário, acolheu a todos: judeus e samaritanos, ricos e pobres, justos e pecadores. Seu amor não fazia distinções.

O texto nos ensina ainda que socorrer sem exigir adesão ou concordância é uma forma poderosa de evangelização pelo exemplo. Ajudar alguém que se opõe à nossa fé ou à nossa visão de mundo é uma maneira eficaz de tocar o coração e despertar respeito. Rejeitar, ao contrário, apenas alimenta ressentimentos e afasta ainda mais as pessoas dos valores do Evangelho.

A caridade não deve ser usada como meio de conversão forçada, nem como moeda de troca. Ela é expressão do amor universal, reflexo do amor de Deus por todos os seus filhos. Quando ajudamos sem perguntar, sem julgar e sem exigir, estamos vivendo o cristianismo em sua forma mais pura.

Que possamos, então, ampliar nosso olhar e nosso coração, praticando uma beneficência sem fronteiras, sem rótulos e sem exclusões. Que vejamos em cada ser humano um irmão em caminhada, digno de respeito, auxílio e amor.

Assim, estaremos honrando verdadeiramente o ensinamento do Cristo e fazendo da caridade o elo que une, e não o muro que separa.

Que assim seja!