O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO
CAPÍTULO XV
FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO
Instruções dos Espíritos
FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO
Paulo, o apóstolo, Paris, 1860
10. Meus filhos, na máxima: Fora da caridade não há salvação estão encerrados os destinos dos homens, na Terra e no céu; na Terra, porque à sombra desse estandarte eles viverão em paz; no céu, porque os que a houverem praticado acharão graças diante do Senhor. Essa divisa é o facho celeste, a luminosa coluna que guia o homem no deserto da vida, encaminhando-o para a Terra da Promissão. Ela brilha no céu, como auréola santa, na fronte dos eleitos, e, na Terra, se acha gravada no coração daqueles a quem Jesus dirá: “Passai à direita, benditos de meu Pai.” Reconhecê-los-eis pelo perfume de caridade que espalham em torno de si. Nada exprime com mais exatidão o pensamento de Jesus, nada resume tão bem os deveres do homem, como essa máxima de ordem divina. Não poderia o Espiritismo provar melhor a sua origem, do que apresentando-a como regra, por isso que é um reflexo do mais puro Cristianismo. Levando-a por guia, nunca o homem se transviará. Dedicai-vos, assim, meus amigos, a perscrutar lhe o sentido profundo e as consequências, a descobrir lhe, por vós mesmos, todas as aplicações. Submetei todas as vossas ações ao governo da caridade e a consciência vos responderá. Não só ela evitará que pratiqueis o mal, como também fará que pratiqueis o bem, porquanto uma virtude negativa não basta: é necessária uma virtude ativa. Para fazer-se o bem, mister sempre se torna a ação da vontade; para se não praticar o mal, basta as mais das vezes a inércia e a despreocupação.
Meus amigos, agradecei a Deus o haver permitido que pudésseis gozar a luz do Espiritismo. Não é que somente os que a possuem hajam de ser salvos; é que, ajudando-vos a compreender os ensinos do Cristo, ela vos faz melhores cristãos. Esforçai-vos, pois, para que os vossos irmãos, observando-vos, sejam induzidos a reconhecer que verdadeiro espírita e verdadeiro cristão são uma só e a mesma coisa, dado que todos quantos praticam a caridade são discípulos de Jesus, sem embargo da seita a que pertençam.
Comentário:
Meus irmãos e minhas irmãs,
Ao chegarmos às Instruções dos Espíritos do Capítulo XV de O Evangelho Segundo o Espiritismo, encontramos uma das mais sublimes sínteses do Cristianismo verdadeiro. Pela palavra de Paulo, o apóstolo, somos convidados a compreender que a máxima “fora da caridade não há salvação” não é apenas um ensinamento moral, mas uma lei divina que orienta os destinos do homem, tanto na Terra quanto na vida espiritual.
Paulo afirma que essa máxima encerra o futuro da humanidade porque, na Terra, à sombra da caridade, os homens aprendem a viver em paz; e, no Céu, aqueles que a praticam encontram graça diante do Senhor. Assim, a caridade não é apenas um ideal espiritual distante, mas uma força transformadora da vida humana, capaz de pacificar consciências e harmonizar relações.
O Espírito compara essa máxima a um facho celeste, uma luz que guia o homem no deserto da vida. Em meio às provas, dores, dúvidas e conflitos que enfrentamos na encarnação, a caridade surge como a coluna luminosa que aponta o caminho seguro. Quem a segue não se perde, porque ela conduz à verdadeira “Terra Prometida”, que é a conquista da paz interior e da elevação espiritual.
Paulo nos ensina ainda que os verdadeiros discípulos do Cristo são reconhecidos pelo perfume de caridade que espalham ao redor de si. Não são as palavras bonitas, os discursos elaborados ou os títulos religiosos que identificam o verdadeiro cristão, mas a maneira como ele trata os outros, como reage às dificuldades, como se posiciona diante da dor alheia.
Nada, segundo o apóstolo, exprime com tanta fidelidade o pensamento de Jesus quanto essa máxima. Nela estão resumidos todos os deveres do homem. Por isso, o Espiritismo, ao adotá-la como regra de conduta, demonstra sua origem cristã, pois não cria um novo caminho, mas retoma o mais puro ensinamento do Cristo, despojado de formalismos e exclusivismos.
Paulo nos convida a perscrutar o sentido profundo da caridade e suas consequências práticas. Ele nos orienta a submeter todas as nossas ações ao governo da caridade e a ouvir a resposta da própria consciência. Quando agimos com amor, ela nos tranquiliza; quando falhamos, ela nos alerta, convidando-nos à reparação.
O Espírito faz uma distinção muito importante: não basta deixar de fazer o mal; é preciso fazer o bem. Evitar o erro pode ser fruto da inércia ou da omissão, mas a prática do bem exige esforço, decisão e vontade. A caridade verdadeira é uma virtude ativa. Ela nos impulsiona à ação: a palavra que consola, o gesto que auxilia, o perdão que liberta, a paciência que sustenta.
Paulo também nos esclarece que o Espiritismo não é um privilégio de salvação. Deus não salva apenas aqueles que conhecem essa doutrina. O mérito do Espiritismo está em ajudar-nos a compreender melhor os ensinos de Jesus, tornando-nos cristãos mais conscientes e responsáveis. A luz espírita não nos coloca acima dos outros, mas aumenta nosso compromisso com o bem.
Por isso, o apóstolo nos exorta a viver de tal maneira que, ao nos observarem, nossos irmãos reconheçam que verdadeiro espírita e verdadeiro cristão são uma só coisa. E isso se comprova por um único critério: a prática da caridade. Todo aquele que ama, serve e auxilia é discípulo de Jesus, independentemente da religião que professe.
Meus irmãos, que essa máxima não permaneça apenas em nossas palavras ou estudos, mas se transforme em regra viva de conduta. Que ela ilumine nossas decisões, inspire nossos atos e nos acompanhe em todos os momentos da vida.
Porque, seguindo essa luz segura, jamais nos desviaremos do caminho. E, um dia, poderemos ouvir as palavras do Mestre: “Passai à direita, benditos de meu Pai”, não pelo que dissemos ou soubemos, mas pelo amor que espalhamos ao longo do caminho.
Que a paz de Jesus Nosso Divino Mestre seja conosco.
Que assim seja.
Contato
Estamos aqui para servir, entre em contato conosco
Email: gfalvoradacrista@gmail.com
Telefone: (11) 94385-2121 (WhatsApp)
© 2025. All rights reserved.