O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

CAPÍTULO XV

FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO

O MANDAMENTO MAIOR

4. Mas os fariseus, tendo sabido que Ele tapara a boca aos saduceus, se reuniram; e um deles, que era doutor da lei, foi propor-lhe esta questão, para o tentar: “Mestre, qual o grande mandamento da lei?” — Jesus lhe respondeu: “Amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu espírito.” — Esse o maior e o primeiro mandamento. E aqui está o segundo, que é semelhante ao primeiro: Amarás o teu próximo, como a ti mesmo. Toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos. (Mateus, 22:34 a 40.)

5. Caridade e humildade, tal a senda única da salvação. Egoísmo e orgulho, tal a da perdição. Este princípio se acha formulado nos seguintes precisos termos: “Amarás a Deus de toda a tua alma e a teu próximo como a ti mesmo; toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos.” E, para que não haja equívoco sobre a interpretação do amor de Deus e do próximo, acrescenta: “E aqui está o segundo mandamento que é semelhante ao primeiro”, isto é, que não se pode verdadeiramente amar a Deus sem amar o próximo, nem amar o próximo sem amar a Deus. Logo, tudo o que se faça contra o próximo o mesmo é que fazê-lo contra Deus. Não podendo amar a Deus sem praticar a caridade para com o próximo, todos os deveres do homem se resumem nesta máxima: Fora da caridade não há salvação.

Comentário:

Meus irmãos e minhas irmãs,

Ao estudarmos o Capítulo XV de O Evangelho Segundo o Espiritismo, somos convidados a refletir sobre aquilo que realmente importa para a vida espiritual do ser humano. Neste trecho, Jesus responde a uma pergunta decisiva: qual é o maior mandamento da Lei? E sua resposta é de uma simplicidade profunda e transformadora.

Ele afirma: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu espírito.” E imediatamente acrescenta: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” Em seguida, conclui de forma clara e definitiva: “Toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos.”

Com isso, Jesus nos ensina que a verdadeira religião não se baseia em ritos, fórmulas ou aparências exteriores, mas no amor vivido. Amar a Deus e amar ao próximo não são dois caminhos distintos, mas um só. Kardec explica que não é possível amar verdadeiramente a Deus sem amar o próximo, nem amar o próximo sem amar a Deus. Um mandamento confirma e completa o outro.

À luz do Espiritismo, compreender esse ensinamento é entender que Deus não exige homenagens vazias, mas atitudes concretas de amor, respeito e solidariedade. Tudo o que fazemos contra o próximo, seja por palavras, ações ou omissões, é também uma afronta à lei divina. Da mesma forma, todo gesto de bondade praticado em favor do outro é uma forma de amar a Deus.

Por isso, o Evangelho nos mostra que caridade e humildade formam a senda única da salvação. A caridade não se limita à ajuda material, mas se expressa na indulgência, na paciência, no perdão, na compreensão das imperfeições alheias. A humildade, por sua vez, nos liberta do orgulho, que nos faz crer superiores, julgadores e donos da verdade.

Em oposição a essas virtudes estão o egoísmo e o orgulho, que constituem as maiores causas do sofrimento humano. O egoísmo nos fecha em nós mesmos; o orgulho nos afasta do outro. Ambos impedem o verdadeiro amor, porque nos afastam da empatia e da fraternidade.

Quando Jesus afirma que “fora da caridade não há salvação”, Ele não impõe uma ameaça, mas apresenta uma lei natural. A salvação, segundo o Espiritismo, não é um privilégio concedido, mas o resultado do progresso moral do Espírito. E esse progresso só acontece quando aprendemos a amar.

Amar o próximo como a si mesmo é reconhecer no outro um irmão de jornada, alguém que, como nós, erra, sofre, aprende e busca ser melhor. É agir com justiça, sem dureza; com verdade, sem agressividade; com firmeza, sem falta de amor. Portanto, meus irmãos, o grande mandamento de Jesus nos convida a uma reflexão diária: como temos amado? Temos amado apenas em palavras ou em atitudes? Temos sido caridosos apenas quando é fácil, ou também quando exige renúncia, paciência e perdão?

Que possamos compreender que amar a Deus é viver segundo Suas leis, e amar o próximo é colocá-las em prática no cotidiano. Assim, fazendo da caridade e da humildade um exercício constante, estaremos no caminho seguro da verdadeira salvação espiritual.

Porque, em síntese, toda a lei divina se resume no amor, e fora da caridade não há salvação.

Que a paz de Jesus Nosso Divino Mestre seja conosco.

Que assim seja.