O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

CAPÍTULO XVI

NÃO SE PODE SERVIR A DEUS E A MAMON

PRESERVAR-SE DA AVAREZA

3. Então, no meio da turba, um homem lhe disse: “Mestre, dize a meu irmão que divida comigo a herança que nos tocou.” — Jesus lhe disse: “Ó homem! quem me designou para vos julgar ou para fazer as vossas partilhas?” — E acrescentou: “Tende o cuidado de preservar-vos de toda a avareza, porquanto, seja qual for a abundância em que o homem se encontre, sua vida não depende dos bens que ele possua.” Disse-lhes a seguir esta parábola: “Havia um rico homem cujas terras tinham produzido extraordinariamente e que se entretinha a pensar consigo mesmo, assim: ‘Que hei de fazer, pois já não tenho lugar onde possa encerrar tudo o que vou colher? Aqui está’, disse, ‘o que farei: Demolirei os meus celeiros e construirei outros maiores, onde porei toda a minha colheita e todos os meus bens. E direi a minha alma: Minha alma, tens de reserva muitos bens para longos anos; repousa, come, bebe, goza.’ — Mas Deus, ao mesmo tempo, disse ao homem: ‘Que insensato és! Esta noite mesmo tomar-te-ão a alma; para que servirá o que acumulaste?’” É o que acontece àquele que acumula tesouros para si próprio e que não é rico diante de Deus.(Lucas, 12:13 a 21.)

Comentário:

Meus irmãos e minhas irmãs,

No Capítulo XVI de O Evangelho Segundo o Espiritismo, Jesus nos oferece um ensinamento essencial para a vida moral e espiritual: o cuidado de preservar-nos da avareza. Essa advertência não é dirigida apenas aos ricos, mas a todos aqueles que fazem dos bens materiais o centro de suas preocupações e o objetivo principal de suas vidas.

Quando um homem pede a Jesus que intervenha na partilha de uma herança, o Mestre recusa assumir o papel de juiz terreno e, em seguida, aproveita a situação para ir além da questão material. Ele nos alerta: “Tende cuidado de preservar-vos de toda a avareza, porque a vida do homem não depende da abundância dos bens que ele possua.”

Com essa frase, Jesus desloca o olhar do exterior para o interior. Ele nos ensina que o valor da vida não está naquilo que acumulamos, mas no que somos. A avareza não se caracteriza apenas pelo acúmulo exagerado de riquezas, mas pelo apego doentio, pelo medo de perder, pela incapacidade de repartir e pela ilusão de segurança que os bens materiais oferecem.

Para tornar essa lição ainda mais clara, Jesus narra a parábola do rico insensato. Trata-se de um homem cujas terras produziram abundantemente. Diante da fartura, ele não pensa em compartilhar, auxiliar ou agradecer. Seu único pensamento é ampliar seus celeiros, guardar tudo para si e garantir uma vida de prazer e descanso. Ele fala consigo mesmo como se fosse senhor absoluto do tempo e da própria existência.

No entanto, Deus o chama de insensato, porque naquela mesma noite sua alma lhe seria pedida. Todo o acúmulo, todo o planejamento egoísta, perde o sentido diante da realidade espiritual. A parábola termina com uma advertência profunda: assim acontece com aquele que acumula tesouros para si e não é rico diante de Deus.

O Espiritismo nos ajuda a compreender que a riqueza material é transitória e que o Espírito nada leva consigo além do que conquistou moralmente. Os bens da Terra ficam; as virtudes nos acompanham. A avareza, portanto, empobrece o Espírito, porque o aprisiona às coisas passageiras e o afasta da solidariedade e da fraternidade.

Ser rico diante de Deus não significa viver na pobreza material, mas possuir um coração generoso, desapegado e sensível às necessidades do próximo. É usar os recursos que a vida nos concede como instrumentos do bem, e não como fins em si mesmos. É compreender que somos administradores temporários, e não proprietários definitivos.

Meus irmãos, preservar-se da avareza é aprender a confiar mais em Deus do que nos bens. É substituir o medo de faltar pela alegria de compartilhar. É lembrar, todos os dias, que a verdadeira segurança está na consciência tranquila e no bem praticado.

Que possamos refletir sobre o lugar que os bens ocupam em nossa vida e perguntar a nós mesmos: estamos acumulando apenas para nós ou enriquecendo diante de Deus? Que a lição do Cristo nos inspire a escolher o desapego, a caridade e a sabedoria, lembrando sempre que não se pode servir a Deus e a Mamon.

Que a paz de Jesus Nosso Divino Mestre seja conosco.

Que assim seja.