O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO
CAPÍTULO XX
Instruções dos Espíritos
OS OBREIROS DO SENHOR
O Espírito de Verdade, Paris, 1862
5. Aproxima-se o tempo em que se cumprirão as coisas anunciadas para a transformação da Humanidade. Ditosos serão os que houverem trabalhado no campo do Senhor, com desinteresse e sem outro móvel, senão a caridade! Seus dias de trabalho serão pagos pelo cêntuplo do que tiverem esperado. Ditosos os que hajam dito a seus irmãos: “Trabalhemos juntos e unamos os nossos esforços, a fim de que o Senhor, ao chegar, encontre acabada a obra”, porquanto o Senhor lhes dirá: “Vinde a mim, vós que sois bons servidores, vós que soubestes impor silêncio aos vossos ciúmes e às vossas discórdias, a fim de que daí não viesse dano para a obra!” Mas ai daqueles que, por efeito das suas dissensões, houverem retardado a hora da colheita, pois a tempestade virá e eles serão levados no turbilhão! Clamarão: “Graça! graça!” O Senhor, porém, lhes dirá: “Como implorais graças, vós que não tivestes piedade dos vossos irmãos e que vos negastes a estender-lhes as mãos, que esmagastes o fraco, em vez de o amparardes? Como suplicais graças, vós que buscastes a vossa recompensa nos gozos da Terra e na satisfação do vosso orgulho? Já recebestes a vossa recompensa, tal qual a quisestes. Nada mais vos cabe pedir; as recompensas celestes são para os que não tenham buscado as recompensas da Terra.”
Deus procede, neste momento, ao censo dos seus servidores fiéis e já marcou com o dedo aqueles cujo devotamento é apenas aparente, a fim de que não usurpem o salário dos servidores animosos, pois aos que não recuarem diante de suas tarefas é que Ele vai confiar os postos mais difíceis na grande obra da regeneração pelo Espiritismo. Cumprir-se-ão estas palavras: “Os primeiros serão os últimos e os últimos serão os primeiros no Reino dos Céus.”
Comentário:
Meus irmãos, que a paz do Cristo esteja conosco.
O texto “Os Obreiros do Senhor” é um chamado solene à consciência daqueles que se dizem trabalhadores da seara divina. Ele nos convida a refletir não apenas sobre fazer, mas principalmente sobre como e por que fazemos o bem.
O Espírito de Verdade inicia afirmando que se aproxima o tempo da transformação da humanidade. Essa transformação não é apenas social ou exterior; trata-se, sobretudo, de uma renovação moral. O mundo caminha para novas bases espirituais, e essa mudança exige trabalhadores conscientes, comprometidos e sinceros.
São chamados de ditosos aqueles que trabalharam no campo do Senhor com desinteresse, sem outro objetivo além da caridade. Aqui está um ponto essencial: o valor do trabalho espiritual não está na visibilidade, no cargo ou no reconhecimento, mas na pureza da intenção. Quem serve esperando recompensa pessoal já recebeu, na Terra, aquilo que buscava.
O texto valoriza profundamente o trabalho coletivo. “Trabalhemos juntos e unamos os nossos esforços”, diz o ensinamento. A obra do bem não é tarefa de vaidades individuais, mas construção solidária. Onde há ciúmes, disputas e discórdias, a obra do Senhor é retardada. O Evangelho não prospera em ambientes de rivalidade, mas floresce onde há fraternidade e respeito mútuo.
O Espírito de Verdade é firme ao advertir que aqueles que, por suas dissensões, atrasam a colheita espiritual, não ficarão isentos de consequências. A tempestade mencionada simboliza as crises morais que atingem aqueles que semeiam a divisão, o orgulho e a indiferença. Não se trata de punição arbitrária, mas de efeito natural das próprias escolhas.
Muito significativa é a repreensão dirigida aos que clamam por misericórdia sem terem sido misericordiosos. O texto nos recorda que não podemos pedir a Deus aquilo que nos recusamos a oferecer ao próximo. Quem esmagou o fraco, quem se omitiu diante da dor alheia, quem buscou apenas os prazeres e glórias da Terra, já recebeu sua recompensa — e não pode exigir as recompensas celestes.
Outro ensinamento profundo está na ideia do “censo dos servidores fiéis”. Deus conhece não apenas as obras externas, mas a verdade do coração. Muitos aparentam devoção, mas fogem do sacrifício; falam de amor, mas não o praticam; defendem a doutrina, mas não vivem seus princípios. Esses, diz o texto, não usurparão o salário dos servidores verdadeiros.
Os postos mais difíceis na obra da regeneração espiritual são confiados àqueles que não recuam diante do dever, que perseveram mesmo sem aplausos, que servem mesmo quando ninguém vê. São esses que sustentam silenciosamente a construção do bem.
Por fim, o Espírito de Verdade relembra a máxima evangélica: “Os primeiros serão os últimos e os últimos serão os primeiros no Reino dos Céus.” Isso nos ensina que, na lógica divina, não importa quem parece grande aos olhos do mundo, mas quem é fiel no serviço humilde. Muitas vezes, os verdadeiros obreiros são os que trabalham no anonimato, com simplicidade e amor sincero.
Assim, este texto nos convida a uma profunda autoanálise:
— Temos trabalhado por amor ou por interesse?
— Temos unido ou dividido?
— Temos servido ou buscado destaque?
Que possamos ser obreiros do Senhor não apenas no discurso, mas na vivência diária do Evangelho, lembrando que a verdadeira recompensa está na paz da consciência tranquila e na alegria silenciosa de servir ao bem.
Que assim seja.
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