O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO
CAPÍTULO XXI
HAVERÁ FALSOS CRISTOS E FALSOS PROFETAS
Instruções dos Espíritos
CARACTERES DO VERDADEIRO PROFETA
Erasto, Paris, 1862
9. Desconfiai dos falsos profetas. É útil em todos os tempos essa recomendação, mas, sobretudo, nos momentos de transição em que, como no atual, se elabora uma transformação da Humanidade, porque, então, uma multidão de ambiciosos e intrigantes se arvoram em reformadores e messias. É contra esses impostores que se deve estar em guarda, correndo a todo homem honesto o dever de os desmascarar. Perguntareis, sem dúvida, como reconhecê-los. Aqui tendes o que os assinala: Somente a um hábil general, capaz de o dirigir, se confia o comando de um exército. Julgais que Deus seja menos prudente do que os homens? Ficai certos de que só confia missões importantes aos que Ele sabe capazes de as cumprir, porquanto as grandes missões são fardos pesados que esmagariam o homem carente de forças para carregá-los. Em todas as coisas, o mestre há de sempre saber mais do que o discípulo; para fazer que a Humanidade avance moralmente e intelectualmente, são precisos homens superiores em inteligência e em moralidade. Por isso, para essas missões são sempre escolhidos Espíritos já adiantados, que fizeram suas provas noutras existências, visto que, se não fossem superiores ao meio em que têm de atuar, nula lhes resultaria a ação. Isto posto, haveis de concluir que o verdadeiro missionário de Deus tem de justificar, pela sua superioridade, pelas suas virtudes, pela grandeza, pelo resultado e pela influência moralizadora de suas obras, a missão de que se diz portador. Tirai também esta outra consequência: se, pelo seu caráter, pelas suas virtudes, pela sua inteligência, ele se mostra abaixo do papel com que se apresente, ou da personagem sob cujo nome se coloca, mais não é do que um histrião de baixo estofo, que nem sequer sabe imitar o modelo que escolheu. Outra consideração: os verdadeiros missionários de Deus ignoram-se a si mesmos, em sua maior parte; desempenham a missão a que foram chamados pela força do gênio que possuem, secundado pelo poder oculto que os inspira e dirige a seu mau grado, mas sem desígnio premeditado. Numa palavra: os verdadeiros profetas se revelam por seus atos, são adivinhados, ao passo que os falsos profetas se dão, eles próprios, como enviados de Deus. O primeiro é humilde e modesto; o segundo, orgulhoso e cheio de si, fala com altivez e, como todos os mendazes, parece sempre temeroso de que não lhe deem crédito.
Alguns desses impostores têm havido, pretendendo passar por apóstolos do Cristo, outros pelo próprio Cristo, e, para vergonha da Humanidade, hão encontrado pessoas assaz crédulas que lhes creem nas torpezas. Entretanto, uma ponderação bem simples seria bastante a abrir os olhos do mais cego, a de que se o Cristo reencarnasse na Terra, viria com todo o seu poder e todas as suas virtudes, a menos se admitisse, o que fora absurdo, que houvesse degenerado. Ora, do mesmo modo que, se tirardes a Deus um só de seus atributos, já não tereis Deus, se tirardes uma só de suas virtudes ao Cristo, já não mais o tereis. Possuem todas as suas virtudes os que se dão como o Cristo? Essa a questão. Observai-os, perscrutai lhes as ideias e os atos e reconhecereis que, acima de tudo, lhes faltam as qualidades distintivas do Cristo: a humildade e a caridade, sobejando-lhes as que o Cristo não tinha: a cupidez e o orgulho. Notai, ademais, que neste momento há, em vários países, muitos pretensos Cristos, como há muitos pretensos Elias, muitos João ou Pedro e que não é absolutamente possível sejam verdadeiros todos. Tende como certo que são apenas criaturas que exploram a credulidade dos outros e acham cômodo viver à custa dos que lhes prestam ouvidos. Desconfiai, pois, dos falsos profetas, máxime numa época de renovação, qual a presente, porque muitos impostores se dirão enviados de Deus. Eles procuram satisfazer na Terra à sua vaidade; mas uma terrível justiça os espera, podeis estar certos.
Comentário:
Meus irmãos, que a paz do Cristo esteja conosco.
O ensinamento trazido por Erasto, neste capítulo do Evangelho Segundo o Espiritismo, é de extraordinária atualidade e lucidez. Ele não se limita a denunciar os falsos profetas, mas oferece critérios seguros, racionais e morais para reconhecermos o verdadeiro missionário de Deus. Em épocas de transformação da humanidade, como a que vivemos, essa advertência se torna ainda mais necessária.
Erasto inicia lembrando que a recomendação de desconfiar dos falsos profetas é válida em todos os tempos, mas se torna essencial nos períodos de transição moral e espiritual. Quando antigas estruturas começam a ruir e novas ideias surgem, muitos ambiciosos se aproveitam da confusão, do sofrimento e da esperança das pessoas para se apresentarem como reformadores, salvadores ou enviados especiais de Deus. Contra esses impostores, diz o Espírito, é dever de todo homem honesto estar em guarda.
A pergunta natural surge: como reconhecê-los? A resposta vem por meio de uma comparação muito clara. Assim como um exército só é confiado a um general experiente e preparado, Deus — infinitamente mais sábio do que os homens — não confia missões elevadas a Espíritos incapazes de realizá-las. Grandes missões são fardos pesados, que exigem força moral, equilíbrio, inteligência e profundo amor à humanidade.
Por isso, os verdadeiros missionários de Deus são sempre Espíritos já adiantados, que trazem consigo conquistas morais adquiridas ao longo de múltiplas existências. Eles são superiores ao meio em que atuam, não por orgulho ou isolamento, mas porque possuem recursos íntimos para elevar, orientar e transformar. Se fossem moralmente inferiores ao ambiente em que se encontram, sua missão seria inútil.
Daí decorre um princípio fundamental: o verdadeiro profeta se justifica pelas suas obras. Não é o título que ele reivindica, nem o nome sob o qual se apresenta, mas a influência moralizadora que exerce, o bem que promove, a transformação que provoca nas consciências. Se alguém se diz portador de uma missão divina, mas revela caráter frágil, virtudes pobres e inteligência limitada ao papel que pretende desempenhar, não passa de um ator, um simulador incapaz de imitar o modelo que escolheu.
Erasto acrescenta um ponto de grande importância: os verdadeiros missionários de Deus, em sua maioria, não têm consciência clara da missão extraordinária que exercem. Eles agem movidos por um ideal elevado, por uma força interior que os impele ao bem, auxiliados por inspirações superiores, mas sem intenção premeditada de se proclamarem enviados divinos. São reconhecidos depois, pelos frutos de sua atuação.
Já os falsos profetas fazem o contrário: anunciam-se, impõem-se, exigem crédito e reconhecimento. Falam com altivez, ostentam autoridade e demonstram constante receio de não serem acreditados. Onde há medo de perder seguidores, vaidade ferida e necessidade de afirmação pessoal, ali não está a verdade.
O texto menciona ainda casos de impostores que chegaram ao extremo de se apresentarem como apóstolos do Cristo ou como o próprio Cristo reencarnado. E, infelizmente, encontraram pessoas suficientemente crédulas para aceitarem tais absurdos. No entanto, Erasto propõe um raciocínio simples e decisivo: se o Cristo retornasse à Terra, viria com todas as suas virtudes intactas. Admitir o contrário seria admitir que Ele teria degenerado, o que é inconcebível.
Assim como retirar um atributo de Deus é negar a própria ideia de Deus, retirar uma virtude essencial do Cristo — especialmente a humildade e a caridade — é negar o Cristo. Basta, portanto, observar atentamente aqueles que se dizem Ele: analisemos suas ideias, seus atos, suas motivações. O que geralmente se encontra não são as virtudes do Cristo, mas justamente aquilo que Ele jamais teve: orgulho, cupidez, desejo de poder e exploração da fé alheia.
Erasto também chama a atenção para um fato evidente: surgem, ao mesmo tempo, em vários países, muitos pretensos Cristos, Elias, João ou Pedro. É impossível que todos sejam verdadeiros. São, na realidade, pessoas que exploram a credulidade humana e encontram nisso um meio cômodo de vida, sustentadas pela ilusão que alimentam nos outros.
O texto se encerra com uma advertência solene: os falsos profetas podem até satisfazer sua vaidade na Terra, mas não escapam à justiça divina. A lei de causa e efeito é infalível, e toda mistificação praticada em nome de Deus terá consequências dolorosas no futuro espiritual.
Assim, este ensinamento nos convida à vigilância, ao uso da razão e à fé esclarecida. O verdadeiro profeta não se proclama: ele se revela. Não domina: serve. Não se exalta: ama. Não busca seguidores: desperta consciências.
Que aprendamos a reconhecer os verdadeiros enviados de Deus não pelas palavras grandiosas, mas pelos frutos morais que produzem, lembrando sempre que a verdade caminha de mãos dadas com a humildade e a caridade.
Que assim seja.
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