O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO
CAPÍTULO XXIV
NÃO PONHAIS A CANDEIA DEBAIXO DO ALQUEIRE
CARREGAR SUA CRUZ
QUEM QUISER SALVAR A VIDA, PERDÊ-LA-A
17. Bem-ditosos sereis quando os homens vos odiarem e separarem, quando vos tratarem injuriosamente, quando repelirem como mau o vosso nome, por causa do Filho do Homem. Rejubilai nesse dia e ficai em transportes de alegria, porque grande recompensa vos está reservada no céu, visto que era assim que os pais deles tratavam os profetas. (Lucas, 6:22 e 23.)
18. Chamando para perto de si o povo e os discípulos, disse-lhes: “Se alguém quiser vir nas minhas pegadas, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me; porquanto, aquele que se quiser salvar a si mesmo, perder-se-á; e aquele que se perder por amor de mim e do Evangelho se salvará.” — Com efeito, de que serviria a um homem ganhar o mundo todo e perder-se a si mesmo?
(Marcos, 8:34 a 36; Lucas, 9:23 a 25; Mateus, 10:38 e 39; João, 12:25 e 26.)
19. “Rejubilai-vos”, diz Jesus, “quando os homens vos odiarem e perseguirem por minha causa, visto que sereis recompensados no céu.” Podem traduzir-se assim essas verdades: “Considerai-vos ditosos, quando haja homens que, pela sua má vontade para convosco, vos deem ocasião de provar a sinceridade da vossa fé, porquanto o mal que vos façam redundará em proveito vosso. Lamentai-lhes a cegueira, porém, não os maldigais.” Depois, acrescenta: “Tome a sua cruz aquele que me quiser seguir”, isto é, suporte corajosamente as tribulações que sua fé lhe acarretar, dado que aquele que quiser salvar a vida e seus bens, renunciando a mim, perderá as vantagens do Reino dos Céus, enquanto os que tudo houverem perdido neste mundo, mesmo a vida, para que a verdade triunfe, receberão, na vida futura, o prêmio da coragem, da perseverança e da abnegação de que deram prova. Mas aos que sacrificam os bens celestes aos gozos terrestres, Deus dirá: “Já recebestes a vossa recompensa.”
Comentário:
Meus irmãos e minhas irmãs, que a paz de Jesus esteja conosco.
Neste trecho do Capítulo XXIV de O Evangelho Segundo o Espiritismo, Jesus nos apresenta uma das lições mais profundas e, ao mesmo tempo, mais desafiadoras do Cristianismo: a necessidade de carregar a própria cruz e compreender que quem quiser salvar a vida, perdê-la-á. Essas palavras, muitas vezes mal interpretadas, não são um convite ao sofrimento inútil, mas um chamado à maturidade espiritual.
Quando Jesus afirma: “Bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem e vos perseguirem por minha causa”, Ele não exalta a dor, nem incentiva a busca do martírio. O que Ele ensina é que a fidelidade à verdade, ao bem e ao Evangelho nem sempre será compreendida pelo mundo. A incompreensão, a crítica e até a rejeição surgem como provas da sinceridade da fé. Nessas circunstâncias, Jesus nos convida a não amaldiçoar, mas a compreender a cegueira moral daqueles que ainda não conseguem enxergar.
“Tomar a sua cruz” significa aceitar com coragem e consciência as dificuldades inerentes ao processo de crescimento espiritual. Cada um de nós tem a sua cruz, que não é escolhida ao acaso. Ela se manifesta nos desafios pessoais, nas lutas íntimas, nas renúncias necessárias ao progresso moral. Carregar a cruz não é reclamar da vida, mas enfrentá-la com dignidade, fé e perseverança.
Renunciar a si mesmo, como ensina Jesus, não é anular a própria personalidade, mas renunciar ao egoísmo, ao orgulho e às paixões inferiores que nos prendem às ilusões do mundo material. É aprender a colocar os valores espirituais acima dos interesses imediatos, das vantagens transitórias e das satisfações puramente materiais.
Quando o Cristo afirma que aquele que quiser salvar a própria vida a perderá, Ele se refere à vida entendida apenas como existência material. Aquele que vive exclusivamente para si, para o prazer, para o poder ou para a posse, acaba empobrecendo espiritualmente. Em contrapartida, quem “perde” a vida por amor ao Evangelho — isto é, quem aceita servir, renunciar e amar — encontra a verdadeira vida, que é a vida do Espírito.
O Espiritismo amplia essa compreensão ao nos ensinar que a existência corporal é passageira e que a vida verdadeira continua além da morte. Assim, os sofrimentos enfrentados com resignação e consciência não são punições, mas instrumentos de aprendizado e libertação. As perdas aparentes deste mundo podem representar grandes conquistas no plano espiritual.
Jesus também nos alerta: “De que serviria ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a si mesmo?” Essa pergunta ecoa fortemente em nossa consciência. O que estamos priorizando? O sucesso exterior ou a paz interior? As conquistas materiais ou a transformação moral? Muitas vezes, ao tentar “salvar” o que é passageiro, acabamos adiando o que é essencial.
Por fim, o Mestre nos lembra que há uma recompensa justa e amorosa reservada àqueles que perseveram. Não uma recompensa material, mas a paz da consciência tranquila, a elevação espiritual e a certeza de estar em sintonia com as Leis Divinas. Aos que trocam os bens eternos pelos gozos imediatos, a lição é clara: já receberam sua recompensa.
Carregar a própria cruz, portanto, é viver com responsabilidade espiritual, é aceitar os desafios como oportunidades de crescimento e manter a luz da fé acesa, mesmo diante das sombras da incompreensão. Que possamos seguir o Cristo não apenas com palavras, mas com atitudes, lembrando sempre que perder-se no amor é, na verdade, o caminho mais seguro para se encontrar.
Que assim seja.
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