O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO
CAPÍTULO XXVI
DAI GRATUITAMENTE O QUE GRATUITAMENTE RECEBESTES
MERCADORES EXPULSOS DO TEMPLO
5. Eles vieram em seguida a Jerusalém, e Jesus, entrando no templo, começou por expulsar dali os que vendiam e compravam; derribou as mesas dos cambistas e os bancos dos que vendiam pombos; e não permitiu que alguém transportasse qualquer utensílio pelo templo. Ao mesmo tempo os instruía, dizendo: “Não está escrito: ‘Minha casa será chamada casa de oração por todas as nações?’ Entretanto, fizestes dela um covil de ladrões!” — Os príncipes dos sacerdotes, ouvindo isso, procuravam meio de o perderem, pois o temiam, visto que todo o povo era tomado de admiração pela sua doutrina. (Marcos, 11:15 a 18; Mateus, 21:12 e 13.)
6. Jesus expulsou do templo os mercadores. Condenou assim o tráfico das coisas santas sob qualquer forma. Deus não vende a sua bênção, nem o seu perdão, nem a entrada no Reino dos Céus. Não tem, pois, o homem, o direito de lhes estipular preço.
Comentário:
Meus irmãos e minhas irmãs, que a paz de Jesus esteja conosco.
O episódio da expulsão dos mercadores do templo é um dos momentos mais firmes e simbólicos da vida de Jesus. Ao entrar no templo de Jerusalém e encontrar ali comércio, barganha e exploração, o Cristo reage com energia, derrubando mesas e expulsando aqueles que transformaram um espaço sagrado em local de interesses materiais. Esse gesto não foi de violência cega, mas de profunda lição moral.
Jesus ensina que o templo, antes de tudo, deve ser “casa de oração”. Ele representa o espaço da elevação espiritual, da comunhão com Deus e do recolhimento da alma. Ao permitir que ali se instalasse o comércio, os homens haviam deturpado o verdadeiro sentido do sagrado, transformando a fé em instrumento de lucro. Por isso, o Cristo afirma com clareza que fizeram da casa de Deus um “covil de ladrões”.
Essa passagem não se limita ao templo físico de Jerusalém. Ela fala diretamente ao coração humano. O verdadeiro templo de Deus é a consciência de cada um de nós. Sempre que permitimos que interesses egoístas, ambição, vaidade ou desejo de lucro se sobreponham aos valores espirituais, estamos, simbolicamente, repetindo o mesmo erro dos mercadores.
Ao expulsar os comerciantes, Jesus condena o tráfico das coisas santas sob qualquer forma. Deus não vende Sua bênção, não comercializa o perdão, nem cobra pela entrada no Reino dos Céus. A misericórdia divina é infinita e gratuita, oferecida a todos, sem distinção. Nenhum ser humano tem autoridade moral para colocar preço naquilo que vem diretamente de Deus.
O Espiritismo reforça esse ensinamento do Cristo ao afirmar que toda prática espiritual deve ser gratuita. A mediunidade, a prece, o passe, o esclarecimento espiritual e qualquer forma de auxílio moral pertencem ao campo da caridade. Quando essas práticas se tornam fonte de ganho material, perdem sua pureza e se afastam do verdadeiro objetivo, que é o bem do próximo e o progresso espiritual.
É importante compreender que Jesus não condenou o trabalho honesto nem o uso dos bens materiais para a vida na Terra. O que Ele condena é o uso da fé como mercadoria e da religião como meio de exploração. A espiritualidade não pode ser reduzida a troca, pagamento ou barganha.
Por isso, a expulsão dos mercadores do templo é um convite à vigilância interior. Perguntemo-nos: estamos preservando o templo do nosso coração? Estamos colocando o amor, a humildade e a caridade acima dos interesses pessoais? Ou estamos permitindo que o egoísmo e o materialismo ocupem o espaço que deveria ser de Deus?
Concluindo, “dar gratuitamente o que gratuitamente recebemos” é um chamado à pureza de intenções. É reconhecer que tudo o que vem de Deus — a vida, os dons, as oportunidades e os recursos espirituais — deve ser colocado a serviço do bem, sem cobrança, sem ostentação e sem exploração. Assim, transformamos nosso coração em verdadeiro templo de oração, digno da presença divina.
Que assim seja.
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